Associação de Antigos Alunos e Amigos do Liceu Nacional de Oeiras

Café/Colóquio(s)
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Nome:
Café/Colóquio(s)
Descrição:
Este grupo destina-se à organização e realização de colóquios, preferencialmente acompanhados de debate, embora possa admitir outro tipo de comunicações. Para cada colóquio será criada uma mesa que orientará os trabalhos. Na impossibilidade dos anteriores eles serão, aproveitando a arquitectura do espaço do grupo, via net, tipo blog. São membros fundadores: Raquel Gonçalves-Maia e Jaime Ramalhete Neves
Criado:
Segunda, 14 Dezembro 2009
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Por Sérgio Ribeiro~~~~~~~~~~ Mensagem dedicada a quem perdeu o hábito (e tantos somos... e não por nossa culpa) de ouvir "falar verdade", de ouvir os "políticos" dizerem o que pensam e sentem, estejamos ou não de acordo com tudo (porque nunca se está!): ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ El País: «Castro, de 84 años, fue entrevistado la semana pasada en La Habana por el periodista Jeffrey Goldberg, junto a la experta norteamericana en relaciones exteriores Julia Sweig. Fueron más de diez horas de conversaciones y encuentros durante varios días. En ese tiempo hablaron de los temas últimamente preferidos por el líder comunista, especialmente el conflicto arabe-israelí y la posibilidad del estallido de una guerra nuclear si continúan las tensiones con Irán. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 1. «En un momento de la conversación, los norteamericanos preguntaron a Castro sobre la vigencia del modelo cubano y su posible validez en otros países. Castro, cada vez más por encima del bien y del mal, contestó que tal cosa no era pertinente y añadió: "El modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros". Lo escribió el propio Goldberg en la revista The Atlantic, y tanta fue su sorpresa que incluso le preguntó a Sweig - una reputada experta en asuntos cubanos- cuál era su interpretación a las palabras del ex presidente cubano, que continúa siendo primer secretario del Partido Comunista de Cuba. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ «Según Sweig, Castro "no estaba rechazando las ideas de la revolución" sino que se trataba de "un reconocimiento de que bajo el modelo cubano el Estado tiene un papel demasiado grande en la vida económica del país". La analista interpretó que con sus declaraciones Castro buscaba "crear un espacio" para que su hermano, el presidente Raúl Castro, pudiera poner en marcha "reformas necesarias, frente a lo que seguramente encontrará resistencias de los comunistas ortodoxos dentro del partido y la burocracia". ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 2. «En la primera entrevista concedida a un medio extranjero (el mexicano La Jornada) desde su reaparición pública, el ex presidente cubano, Fidel Castro, asume la persecución contra los homosexuales de hace medio siglo. Aquellas políticas fueron la causa de que centenares de homosexuales fueran enviados a las Unidades Militares de Ayuda a la Producción (campos de trabajo forzado) bajo la acusación de ser contrarrevolucionarios. Otros acabaron en el exilio. "Sí, fueron momentos de una gran injusticia, ¡una gran injusticia!, la haya hecho quien sea. Si la hicimos nosotros, nosotros... Estoy tratando de delimitar mi responsabilidad en todo eso porque, desde luego, personalmente, yo no tengo ese tipo de prejuicios", afirma. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ «Nuestra sociedad no puede dar cabida a esa degeneración", afirmó Fidel en 1963. Más adelante asume que él fue el responsable de esa "injusticia". "Si alguien es responsable, soy yo", dice. Aunque se justifica: "En esos momentos no me podía ocupar de ese asunto. Nosotros no lo supimos valorar... Teníamos tantos problemas de vida o muerte que no le prestamos atención... Piensa cómo eran nuestros días en aquellos primeros meses de la Revolución: la guerra con los yanquis, el asunto de las armas, los planes de atentados contra mi persona...".» __________________ Um brevíssimo comentário: No ingente aproveitamento especulativo desta entrevista, não se toca no que nela é essencial: a preocupação de Fidel, expressa em tantos recentes artigos relativamente aos perigos que a Humanidade atravessa, com a situação de guerra e Paz, no Médio Oriente, com as ameaças ao Irão, e tudo o resto. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Também a necessidade - e esta é por minha conta e risco - de saber o que quer dizer "modelo", "modelo cubano de Estado" e, mais ainda, exportável! As palavras têm um significado. E Fidel nem por um momento põe em causa a revolução e o socialismo, quando até teria, como cubano, razões para se queixar de como algum "socialismo real" (se isto é ou foi alguma coisa...) teve, em certos momentos históricos, grande influência negativa no caminho feito pelo povo cubano, pr erros, fragilidades, traições. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Há quem não saiba ler, e há quem não queira que os outros saibam ler...
Segunda, 06 Setembro 2010 by Jaime RN
Sexta, 03 Setembro 2010 by Jaime RN
Quarta, 01 Setembro 2010 by Jaime RN
Quarta, 01 Setembro 2010 by Jaime RN
Terça, 31 Agosto 2010 by Jaime RN
Sábado, 28 Agosto 2010 by Jaime RN
Sexta, 20 Agosto 2010 by Jaime RN
Sexta, 06 Agosto 2010 by Jaime RN
Sexta, 30 Julho 2010 by Jaime RN
Quinta, 29 Julho 2010 by Jaime RN
Terça, 27 Julho 2010 by Jaime RN
Mostrando 20 de 92 boletins

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zétó, 2010-08-23 23:23:36
Excelente artigo o do Chomsky. Obrigado. Copiei para guardar para mim. Abraço
 
Jaime RN, 2010-02-09 14:24:03
À margem do “Ano de Darwin”, mas não muito.:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: O segundo momento da expansão europeia:::::::::::::::: Parte II:::::::::::::::::::::::::::: No princípio do século XX Fernando Pessoa regressará a Lisboa, onde tinha nascido em 1888 . Não longe do ano da morte dos Mártires de Chicago, nem da morte de Cesário Verde ( e já agora pergunto-me por que razão nunca é focada a perspectiva deste último, que existe para além de muitas outras, de neorrealista “avant la lettre”). Vindo da África do Sul (estado colonial criado em 1910) onde seu padastro era cônsul. Morrerá cinco anos antes de Gilberto Freire pronunciar a conferência “Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira”. Esta em 1940, quando a Alemanha já tinha iniciado a invasão da Europa. Mas não morrerá Fernando Pessoa antes de, metaforicamente, ter guardado na sua arca os textos dispersos que, organizados por António Quadros para a Europa-América com o título “Portugal, Sebastianismo e Quinto Império”, veiculam conceitos como “iberismo, atlantismo, império andrógino” e outros. Mas também no início do século XX Wenceslau de Moraes está no Extremo Oriente, onde pressente a próxima invasão da Coreia pelo Japão (1910). O que não acontecia pela primeira vez.:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Um caso do primeiro momento da expansão europeia::::::::::::::: Curiosamente na última década do século XVI (primeiro momento da expansão europeia) documentos da dinastia Yi referem artilheiros portugueses com as tropas da dinastia Ming opondo-se à invasão japonesa, comandada por Toyotomi Hydeoshi, cujas tropas eram acompanhadas por um padre espanhol, Gregório de Céspedes. A guerra do Imjin durante o “século cristão” do Japão .:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: O fim do segundo momento de expansão europeia ::::::::::::::: A invasão e ocupação da Coreia no século XX só cessam com a derrota da Alemanha e do Japão, o fim da II Guerra Mundial, altura em que o Brasil se libertará de um certo colonialismo económico por parte da Inglaterra. Fim da II Guerra Mundial (1945) que marca indubitavelmente o fim do segundo momento da expansão europeia, seguido dois anos depois pelo Plano Marshall (1947), que cria condições ( até pela fuga de cérebros da Europa para os EUA) para um controlo económico localizado (primeiramente Alemanha e Japão) acompanhado por um progressivo poder de compra, com alguns sobressaltos diga-se de passagem, contudo um controlo económico que não tem em conta a planificação e o desenvolvimento desigual, a sobreprodução e o desemprego. Com as inevitáveis “bolhas” do sistema financeiro económico . E este modelo, salvo algumas excepções nem sempre felizes, é repetido à exaustão a nível global. :::::::::::::::: Meu vizinho durante alguns dias ( ali, ao lado da Praia Da Torre) Muamar Kadafi, numa mensagem de vídeo entrada na minha caixa de correio, fez saber ao mundo muçulmano que não deveria preocupar-se com a sua expansão: a taxa de natalidade dos povos islâmicos é muito mais elevada do que a dos povos tradicionalmente cristãos. Só há que esperar pacientemente algum tempo. E a de Portugal é das mais baixas da Europa. Nas Jornadas de Teologia, da Universidade Católica no Porto, Adriano Moreira afirmou “Estamos a viver uma data onde as humanidades são secundárias em todos os sectores, e este é o momento de lutar para que as humanidades voltem a ter a função indispensável, não apenas para a defesa de uma sociedade civil harmoniosa, mas também porque há um património imaterial da humanidade e esse património em grande parte é resultado da pregação cristã”. ::::::::::::::::::::::: Contudo a par destas constatações verificamos que: 1 - a partir de 1999, a NATO, então com 19 países membros, tem agora 28 e está em vias de expansão, mesmo quando a “ameaça” do Pacto de Varsóvia já não existe; 2 – e que a mesma organização poderá estender-se ao Médio Oriente onde existe o conflito Palestina/Israel; 3 – existe ainda o problema do Iraque, do Afeganistão ( não deixar de ler , de Alexandra Lucas Coelho,”Caderno Afegão”, - vale sinceramente muito mais que os noticiários ou séries televisivas de origem americana- das edições Tinta da China) e a quase que promessa do Irão; 4 – aparece subitamente uma problemática complexa com os países da América Latina, embora já iniciada em 1973, com o derrube do presidente Allende; 5 – a emigração portuguesa actual iguala ou supera a emigração dos anos 60, para além da taxa de desemprego já ultrapassar os 10%.::::::::::::::::::::::::::::::: Nas referidas Jornadas de Teologia D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, reforça, no entanto, a ideia de que as personalidades públicas têm obrigações maiores. “Quem tem responsabilidades acrescidas, porque é uma personalidade pública, tem obrigações maiores e de coerência.” . :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: NOTA:……………………………………………………. Depois do 25 de Abril, Portugal permaneceu membro da NATO, apesar da Constituição da República Portuguesa (ainda) explicitar, no seu Artigo 7º, ponto 2: 2. Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.
 
Jaime RN, 2010-02-05 08:30:33
À margem do “Ano de Darwin”, mas não muito … :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Segundo momento da expansão europeia – parte I::::::::::::::::::::::: Ainda o conde de Gobineau não tinha nascido (nasceria cerca de quinze anos depois) quando determinado amigo alemão de Sílvio Romero chegou ao Brasil, cerca de 1801. Em meados de século Gobineau escreveria o seu “Essai sur l’inégalité des races humaines”, morrendo antes da Conferência de Berlim. Mas igualmente em meados do século, mais propriamente em 1858 o amigo de Sílvio Romero fazia uma petição para que 300.000 famílias alemãs fossem para o território das Missões no Brasil, no sul. Sílvio Romero faz a sua conferência sobre “O elemento português no Brasil”, vinte e poucos anos depois da independência e nove anos depois da morte de Gobineau que, entretanto, e apesar de em França pouco se ter ligado à sua obra, tinha sido acusado de pangermanista, sendo a sua obra largamente aceite na Alemanha. A citada conferência de Sílvio Romero data de 1890, dez anos antes da morte de Eça de Queirós, escritor e diplomata, que utiliza uma personagem da obra “A Ilustre Casa de Ramires”, para fazer um apelo de migração virado para África. ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: De uma modesta família de origem austríaca de apelido Hitler, nasceria em 1889 uma criança a quem foi posto o nome de Adolf : morreria em 1945 depois de ter assolado a Europa e o mundo e de ter publicado o “Mein Kampf”, onde explicita a teoria da raça ariana e pura, e a teoria dos espaços vitais. Prefaciador das “Prosas Bárbaras” de Eça de Queirós, da Geração de 70 que admirou a Comuna de Paris, Jaime Batalha Reis, nosso representante diplomático em S.Petersburgo em 1917 deitará as mãos à cabeça ( embora com o comedimento e elegância próprios dos diplomatas, como se pode ver pelas suas cartas) com os acontecimentos da Revolução Russa – até porque não estava na posse de todos os elementos para a compreender. Karl Marx tinha publicado o “Manifesto do Partido Comunista” em 1848.
 
Jaime RN, 2010-01-26 13:08:25
À margem do “Ano de Darwin”, mas não muito: antropologia, linguística e genética. A nível antropológico::::: Monsenhor Raponda Walker (1871-1968), filho de um inglês e de uma gabonesa ( embora a Wikipédia refira que era M’Pongwé, tenho outra informação de ela ser M’Fang), primeiro sacerdote cristão gabonês que dedicou a sua vida, para além de religiosa, ao estudo do povo a que pertencia. Deixou uma vasta obra escrita, ainda não publicada na totalidade. Numa sua obra “Rites et Croyances des Peuples du Gabon” (Présence Africaine) refere a dada altura, e cito de memória, a morte da mulher mais velha da tribo. Para logo de seguida descrever, embora não escondendo os seus ideais cristãos e um certo acanhamento, um ritual de fertilidade levado a cabo, que tem como finalidade a conservação e sobrevivência do grupo. Ao grito das mulheres mais velhas, “Maconga!”, todos, homens e mulheres, obedecem entrando indiscriminadamente nas casas, sem atenderem à formação dos casais pré-estabelecidos. Já nos séculos XVI-XVII Jan Huyghes van Linschoten se tinha referido ao carácter matriarcal da sociedade gabonesa, numa atitude inconscientemente eurocêntrica, no seu livro de viagens ( existe tradução portuguesa). E antes, Valentim Fernandes no início do séc. XVI, segundo a referência de Luísa Pereira e Filipa M. Ribeiro. As marcas de matriarcado continuam presentes na sociedade do Gabão de hoje. ::::::::::::::::::::::: A nível linguístico:::::: São do conhecimento comum as palavras Congo, congada (Brasil, ::: http://www.youtube.com/watch?v=NDJ0HXN4w6g&feature=related :::), conga (dança; ver,::: http://www.youtube.com/watch?v=sJvUtvJI8rM::: ). Para além do Congo (que se estendeu até ao Atlântico e à parte norte de Angola, a designação Gabão é de origem portuguesa: quem lá chegou ( Diogo Cão?) achou que o estuário do rio Ogowé tinha a configuração de um “gabão”. Para meu espanto!), a palavra “manicongo” que aparece em documentos portugueses tem o significado de “senhor do Congo”. Já a “congada” manifestação religiosa e festiva no Brasil está relacionada com a diáspora que foi o tráfico de escravos (séc. XV a XIX; ver, José Ramos Tinhorão, “Os Negros em Portugal – uma presença silenciosa”, Caminho) e a dança da conga aparece frequentemente dicionarizada (em dicionários unilingues) como, no mínimo, sensual. A palavra “maconga” é um substantivo verbal formado por “conga” (significando determinados movimentos do corpo, a nível da pélvis, e “ma” a marca do plural). Se recorrermos aos dicionários bilingues (línguas bantas/língua europeia), podemos aprofundar ou compreender melhor certos aspectos, embora sejam escassos e devam ser consultados com cautela. Grande parte deles foi elaborada por missionários. Por vezes com algumas omissões.::::::::::::::::::::::::::::::::: A nível genético :::::::: Temos de reconhecer como êxito editorial “O Património Genético Português” (A história humana preservada nos genes), de Luísa Pereira e Filipa M. Ribeiro: duas edições em 2009, em Julho e Outubro. Para além deste êxito, o prazer de ler um livro acessível sobre genética. Até para gente de Letras. No cap.VI, p.113 o discurso genético segue a par com o discurso linguístico da dispersão dos povos bantos, partindo de uma região alargada (Níger-Congo). Ver ::: http://en.wikipedia.org/wiki/Bantu_languages :::. As populações subsaarianas apresentam a maior diversidade na análise dos marcadores autossómicos e do ADN mitocondrial. Mas quando se analisa a variedade do cromossoma Y ela é baixa. Uma dispersão humana para sul e outra para leste: os primeiros, há cerca de 3500, anos terão chegado à zona da floresta equatorial, os segundos perto da zona dos grandes lagos há cerca de 3000 anos. É possível distinguir, a nível de análise genética, a progressão para sul na costa leste e na costa oeste, embora com a interferência dos contactos com outras populações, incluindo os Koisan, cujo número de indivíduos foi progressivamente reduzindo, devido sobretudo ao facto de os Bantos cultivarem a terra, continuando eles caçadores-recoletores ( e quem quiser acrescentar ou corrigir que o faça, dado que, naturalmente, não estou à vontade neste nível de abordagem…).::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: :::NOTA: :::em Angola, a “semba” (umbigada) está presente em muitas danças populares tendo dado origem ao “samba” brasileiro ( ver ::: http://www.youtube.com/watch?v=4Mf_PTB8juc :::), a nível de vocabulário. A nível de comportamento corporal a “semba” (umbigada) está presente em determinadas maneiras de dançar “kizomba” ( dança de lazer, divertimento, por oposição à dança ritual; ver :::http://www.youtube.com/watch?v=w7yU2KBP-MU :::). O “kuduro”(cujos elementos de composição vocabular são genuinamente portugueses e não bantos, embora grafado habitualmente com “k”) de criação recente, introduz uma nova maneira de dançar a nível de comportamento corporal.:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: O vídeo seguinte diz respeito à maneira de dançar “Koisan”, os caçadores-recolectores: ::: http://www.youtube.com/watch?v=8qnB_UIQIIM&feature=related :::. O que farão lembrar alguns passos desta maneira de dançar?
 
Jaime RN, 2010-01-17 14:38:01
PARTE II – ainda POPPER (Ano Darwin) Mas começo por fazer uma nota. No princípio. Quando elas, as notas, costumam aparecer no fim, em rodapé, quando não é oportuno metê-las entre parênteses. E devido ao “feed-back” que recebi: a temática tem sido difícil. Estou de acordo por várias razões. Primeiro, para além da temática, a realidade é difícil, complexa. Segundo, cada um de nós está habituado a movimentar-se, do ponto de vista intelectual, num determinado número de referências. A Enciclopédia (séc. XVIII) de Diderot e D’Alembert já não é actuante nos dias de hoje, embora se possa considerar o embrião de posteriores evoluções, como a transdisciplinaridade (Piaget, 1970 – Unesco/Arrábida, 1994) que procura ultrapassar a especialização disciplinar (especialização que se pode encontrar nas actuais disciplinas do secundário). Ressalva feita para o “Trabalho de Projecto”? Como organizadora do pensamento entre as disciplinas, a transdisciplinaridade. Para compreender a vida, para a preservar, para a modificar.---------------------------------------------------------------------------------------------- Tentando dourar a pílula lancei mão da “Ilha das Flores”. Um título com algo de apelativo: cor, perfume, promessa de renovação de vida. Desenganem-se: o título não corresponde às vossas possíveis expectativas. Trata-se de uma curta metragem rodada no Brasil. Poderia ter sido filmada noutro local, noutro país, embora a Ilha das Flores exista para além do projecto didáctico que é o filme. Uma explicação simbólica daquilo a que se convencionou chamar economia. Dado que o espaço informático deste grupo lhe não dá acesso, utilizem o processo “copy and paste” para http://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28 . Sharon Beder, professora e investigadora na Faculdade de Letras da Universidade de Wollongong, na Nova Gales do Sul, Austrália, afirma: “Os ideais democráticos como o de um nível adequado de saúde e educação para todos foram sacrificados a fim de proporcionar oportunidades de negócio às corporações. A tragédia é que, quando os cidadãos mundiais perceberem as consequências dessa perda, a sua capacidade para recuperarem poder e reordenarem democraticamente as prioridades será obstruída pela Organização Mundial do Comércio (OMC)”. E algo de semelhante diria Paulo Freire, (professor e investigador brasileiro), ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire (copy and paste) cuja influência parece não ter chegado à “Ilha das Flores”.------------------------------------- A “Ilha das Flores” retrata um tipo de economia que nada tem a ver com a vida dos Makuvale, referidos na Parte I. A vida dos Makuvale encontra-se mais próxima da dos Hadza, na Tanzânia e referidos em http://www.nationalgeographic.pt/articulo.jsp?id=2080310 : um isolamento quase total em relação a populações vizinhas que foram, ao longo dos séculos, sendo permeáveis a influências exteriores. Neste último texto Ngaola apresenta uma concepção de tempo muito próxima da do herói Koisan do filme, bastante conhecido, “Os Deuses devem estar loucos”. São dois tipos diferentes: a dos “ilhéus” e a das duas etnias africanas. Mas entre estes dois tipos, e para além deles, existe uma variedade enorme de comportamentos humanos. Comigo passou-se um caso curioso, em Libreville, na Universidade Omar Bongo. Combinei um encontro com o chefe de departamento de Linguística e ambos tínhamos relógio. Falhei o encontro porque me dirigi ao bar da universidade enquanto ele me esperava debaixo da árvore que havia no pátio, tal como Ngaola. A maior. A uns cinquenta metros mas sem contacto visual.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Não há muitos dias abri um “tópico”, Cooperação no âmbito da Educação entre Portugal e os Palop, com uma dupla finalidade: divulgação para quem estiver interessado em participar e como objecto de reflexão, que agarro agora. O ISCTE é uma instituição credível e pretende reunir um conjunto de especialistas, e cito, “ Este Congresso reunirá, responsáveis políticos, promotores e agentes de acções de cooperação, professores e investigadores”, embora a expressão “promotores e agentes de cooperação” fique bastante no vago. Empresários, ong’s, antropólogos? São no entanto especialistas e com “iluminação” ( sem conotação pejorativa, com ligação à corrente Iluminista). Abro um parênteses para cumulativamente citar Popper, “por mais cisnes brancos que sejam encontrados, nunca podemos ter a certeza de que todos os cisnes são brancos” e a realidade dos Nawa (bacia do Amazonas) com duas referências para mim: uma recente, http://pib.socioambiental.org/pt/povo/nawa/822 (copy and paste) e uma outra, um filme não comercializado, de origem francesa, no âmbito da Antropologia Visual: com intervenção da figura antropológica do “compadre”. Neste filme o “happy end” está ausente: a tribo afasta-se do intermediário e entoa em coro uma melodia em que manifesta o seu repúdio pela acção integradora do “outro”.----------------------------------------------------- Para uma conclusão (?) Amigos meus angolanos que regressam a Angola costumam receber críticas das próprias famílias devido ao facto da sua pronúncia se ter alterado em relação ao modelo angolano. Não me consta que haja desemprego entre os Macuvale e os Hadza. Entre os Nawa também não.---- Relembro as palavras de Raquel G-M no POST-SCRIPTUM ao TERCEIRO MUNDO DE POPPER: “O ser humano tem direitos, como sejam a liberdade de pensamento e de crítica, a liberdade de interagir com as instituições. Mas tem também deveres a cumprir: anular a incompetência, minimizar o dano, eliminar o abismo que separa as sociedades desenvolvidas das que o não são.”
 
Jaime RN, 2010-01-12 10:50:15
KARL POPPER e as boas intenções. Para além do problema do léxico e do discurso das diversas ciências, o discurso paralelo. PARTE I -Longe, já longe, das noções de “res cogitans” e res extensa” de René Descartes,Popper (1989) afirma que a nossa realidade é formada por três categorias distintas e interligadas: Mundo 1 - o mundo físico em que se está inserido. O meio ambiente constituído por ecossistemas, plantas e animais; Mundo 2 - a consciência individual, seus sentimentos e percepções sensoriais; Mundo 3 - as estruturas criadas por grupos humanos, como linguagens, invenções, empresas, cultura, comércio, inventos, meios de comunicação, problemas, etc. Antes de Raquel G-M ter postado um seu texto sobre o Mundo 3 tinha eu colocado em “Tópico” um anúncio (Biólogo para Castro Verde) da Liga para a Protecção da Natureza, mais preocupado com o trabalho precário, devo confessá-lo, do que com a protecção da natureza, o que de momento não consigo avaliar se será muito consensual. Mas foi o meu primeiro sentimento, nada a fazer. Embora, depois de lido o texto, me apressasse em pôr em evidência um outro de um filósofo pré-socrático ( amigo do peito, em oposição a Sócrates, apaparicado pela maior parte das pessoas). Comunicação muito mais rápida do que aquela correspondência estabelecida entre Darwin e Francisco de Arruda Furtado. De repente surgiu-me quase que inexplicavelmente, de Ruy Duarte de Carvalho, uma obra de difícil arrumação nos nossos esquemas de ideias e classificações habituais, “Vou lá visitar pastores”, a memória dialogante e narrativa de viagem às gentes de entre Namibe e Cunene, o Kuvale. Segundo alguns autores a antropologia, embora iniciada anteriormente e estruturando-se como ciência a partir do século XVIII, perspectivada biologicamente por Darwin no séc.XIX, tem servido para um certo homem, geralmente etnocêntrico, tentar ver-se ao espelho. Esta reflexão só surge na segunda metade do século XX quando, ultrapassada a fase da etnocentricidade, nunca totalmente mas em parte, o antropólogo se debruça sobre a sociedade em que pensa que está inserido. Ou age em relação a outra sociedade com os olhos do “outro”. Mas atenção ao conceito de sociedade: ele não é o mesmo para o antropólogo de hoje ou para o leitor desprevenido. Quantas sociedades tem Lisboa? Em Harare e já depois da independência, onde vivi alguns anos, havia bairros de brancos, bairros de negros e bairros de mestiços incluindo indianos. Não se misturavam, a principal ocupação de negros sem qualificações era a de “seguranças” de moradias de qualquer dos três grupos sociais. Quando no desemprego, roubavam, quando na fila do pão mais barato, eram contidos por soldados com espingardas. Alguém se lembra do padre anglicano Tim Jones? Em Luanda, já depois da independência, um Mucuvale foi trazido da sua região natal para, na perspectiva de uma acção partilhada, servir de “compadre” (personagem que serve de intermediário na nova antropologia) na sua sociedade. Faleceu por não estar habituado, do ponto de vista digestivo, à nova comida. Em Lisboa, um aluno a quem foi atribuído um “Magalhães” respondia a todo o “spam” que caía na caixa de correio até ser orientado pelo professor. E na Coreia, com todo o seu avanço tecnológico e a consciência que já tinha atingido o “nível do dragão” havia quem se atirasse para a frente dos carros para receber a indemnização do seguro. Talvez todo o parágrafo anterior, um excurso desnecessário para chegar à afirmação de Raquel G-M “ eliminar o abismo que separa as sociedades desenvolvidas das que o não são”. Não há na sua afirmação qualquer conotação positivista, que leve a considerar inferior o “outro”, própria do segundo momento de expansão europeia, o colonialismo do séc. XIX, a partilha de África pela Europa ou as guerras do ópio e o seu contexto na Ásia. A minha pergunta: o que são sociedades desenvolvidas? Serão sociedades com reais oportunidades para todos?
 
Raquel G-M, 2010-01-10 17:15:32
QUESTÕES ACERCA DO TERCEIRO MUNDO DE POPPER (por R. Gonçalves, excerto traduzido de Transdisciplinarity, Hugin Editores, 1997) POST-SCRIPTUM ao TERCEIRO MUNDO DE POPPER Com Copérnico removemos o homem do centro do Universo, com Newton submetêmo-lo a forças que não pode controlar, com Darwin reconhecemos que ele não é mais do que um produto da evolução natural das criaturas vivas. Com Poper, contudo, tal declínio tende a mudar de sinal. De facto, Popper, através da sua concepção de existência do Mundo 3 o Mundo das invenções, dos problenmas, da linguagem...), reavalia o homem como um ser de privilégio. Assim nasce um elevado sentimento da nossa dignidade pessoa, o que necessita, contudo, de ser bem compreendido. O ser humano tem direitos, como sejam a liberdade de pensamento e de crítica, a liberdade de interagir com as instituições. Mas tem também deveres a cumprir: anular a incompetência, minimizar o dano, eliminar o abismo que separa as sociedades desenvolvidas das que o não são.
 
Jaime RN, 2010-01-10 11:29:10
TEXTOS SOBRE FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/textosfilosofiaciencia.html TEXTOS SOBRE FILOSOFIA DA CIÊNCIA (atenção: cada frase corresponde a uma opinião, a uma doutrina.) O que é científico - Rubem Alves: "O pretendente ao título de "grande mestre" deve se dedicar de corpo e alma ao jogo da ciência. O cientista que assim procede ficará com conhecimentos cada vez mais refinados na sua área de especialização: ele conhecerá cada vez mais de cada vez menos. Mas, à medida que o seu "software" de linguagem científica se expande, os outros "softwares" vão se atrofiando. Por inatividade. O cientista se transforma num "homem uni-dimensional": vista apurada para explorar a sua caverna, denominada "área de especialização", mas cego em relação a tudo o que não seja aquilo previsto pelo jogo da ciência. Sua linguagem é extremamente eficaz para capturar objetos físicos. Totalmente incapaz de capturar relações afetivas. Se não houvesse homens no mundo, se o mundo fosse constituido apenas de objetos, então a linguagem da ciência seria completa." A doutrina do falseamento de Karl Popper - Alexandre Marques: "O objetivo deste trabalho é analisar, no contexto da filosofia da ciência, as propostas de Karl Popper, respeitantes ao critério de demarcação entre o discurso científico e outros tipos de conhecimento, a sua concepção inovadora do método científico e as conseqüências que daí resultam para a idéia de progresso científico." (Fonte: KARL POPPER) As revoluções científicas de Thomas Kuhn (1922-1996) - Alexandre Pires: "A teoria central de Kuhn é que o conhecimento científico não cresce de modo cumulativo e contínuo. Ao contrário, esse crescimento é descontínuo, opera por saltos qualitativos, que não se podem justificar em função de critérios de validação do conhecimento científico. " (Fonte: THOMAS KUHN) Ciência e Vida - na Rede de Especialistas: "Explicitar o conceito de ciência, bem como o de vida, ou o de ciência da vida, por si só, já é uma tarefa muito abrangente, que nos conduz aos mais diversos questionamentos, a diferentes campos de saber, com a possibilidade de várias abordagens." Teorias nas Ciências Sociais - do prof. filósofo Rubem Alves: "Nas ciências sociais há um sem-número de redes. Aqui existe pouco acordo acerca dos peixes a serem pescados, das redes a serem empregadas e dos métodos-arapucas a serem armados." Coletivo, regularidades e leis na Sociologia - do prof. filósofo Rubem Alves: é "possível constatar e verificar uma REGULARIDADE nos fatos sociais. Essa REGULARIDADE responde às LEIS DA VIDA SOCIAL e essas LEIS CIENTÍFICAS são passíveis de serem observadas e apreendidas. Disso resulta que é também possível prever (o que é diferente de adivinhar) com certa margem de acerto os possíveis eventos futuros de uma determinada sociedade. Abre-se, então, a possibilidade de se poder intervir conscientemente nos processos, tanto para reforçá-los como para negá-los, dependendo dos interesses em jogo." (Do livro: Sociologia - Introdução à ciência da sociedade, de Cristina Costa, Editora Moderna, São Paulo, págs 9, 10, 14 e 15) Da realidade da mentira à mentira da realidade - "Talvez a realidade não é outra coisa que o assunto da discussão, o que a realidade é a questão, isto é, ‘o que está em questão’, ou que a realidade é o problema, isto é, o que é problemático e pode ser problematizado. E desse ponto de vista a verdade não é já a verdade, mas um dos modos possíveis de determinar o assunto, de encarar a questão, de dar conta do problema." (Do livro: "A Escola cidadã no Contexto d Globalização", Editora Vozes, Petrópolis, 1998, pág. 48 – 63) O senso comum e o conhecimento científico - "o senso comum não se caracteriza pela investigação, pelo questionamento, ao contrário da ciência. Fica no imediato das coisas, caracteriza-se pela subjetividade. É ditado pelas circunstâncias. É subjetivo, isto é, permeado pelas opiniões, emoções e valores de quem o produz." Dos fatos às teorias - "..a ciência não termina com os fatos. Ela se inicia com eles. Inicia-se a partir de problemas suscitados pelos fatos. Então os fatos são o ponto de partida, a partir da problematização, para um teoria científica." Evolução biológica e analogias sociais e econômicas - de Francisco Arruda Sampaio: ".... Stephen Jay Gould não cansa de apontar em seus ensaios, "de todos os conceitos fundamentais nas ciências da vida, a evolução é o mais importante e também o mais mal compreendido." As deturpações mais graves são as que aliam as idéias de "progresso" e "finalidade" ao conceito de evolução. Ou seja, a idéia de que a evolução leva ao progresso: do simples ao complexo, do pequeno ao grande, do macaco ao homem..." A rota da ciência normal - Thomas Kuhn, do livro: "KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2. ed. 1978, p. 24-42: "Por que a realização científica, como um lugar de comprometimento profissional, é anterior aos vários conceitos, leis, teorias e pontos de vista que dela podem ser abstraídos? Em que sentido o paradigma partilhado é uma unidade fundamental para o estudo do desenvolvimento científico, uma unidade que não pode ser totalmente reduzida a componentes atômicos lógicos que poderiam funcionar em seu lugar?" Ciência e Poder - Do Livro: "Fundamentos da Filosofia", Gilberto Cotrim, Editora Saraiva, 2001, pág. 253-255: "A ciência está atrelada a interesses econômicos políticos que norteiam sua própria ação, seja pela definição do que vai ser pesquisado, seja pela escolha das áreas que serão beneficiadas com recursos para possibilitar as pesquisas." Dificuldades metodológicas das Ciências Humanas - do Livro: "Filosofando - Introdução á Filosofia", de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, Editora Moderna, São Paulo, pág. 167 e 168, ano 1998: "Por haver REGULARIDADES na natureza, é possível estabelecer leis e por meio delas prever a incidência de um determinado fenômeno. Mas como isso seria possível, se admitíssemos a liberdade do homem? E caso ele esteja realmente submetido a determinismos, seria da mesma forma e intensidade que para os seres inertes?" Como confiar em fotografias - De Peter Burke, historiador inglês, autor de "Variedades de História Cultural" (Ed. Civilização Brasileira) e "O Renascimento Italiana" (Ed. Nova Alexandria,), entre outros. (Jornal "Folha de São Paulo", ano 2000): "Mas a ilusão de ver o mundo diretamente quando se olha para fotografias - o 'efeito realidade', como o chamou Roland Barthes (1915-1980) - continua difícil de evitar. Esse efeito, parte do que Barthes chamou de 'retórica da imagem', é explorado nas imagens de fatos recentes que aparecem nos jornais e na televisão e é a particularmente vívido no caso de antigas fotos de ruas das cidades." Sobre o óbvio - De Darcy Ribeiro: No livro "A paixão pela Razão - Descartes", Mário Sérgio Cortella, Ed. FTD, 1988, pág. 64-68: "Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas trabalham é com o óbvio. O negócio deles - nosso negócio - é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e disfarçada que se precisa desta categoria de gente - os cientistas - para ir tirando os véus, desvendando, a fim de revelar a obviedade do óbvio." A quem pertence o conhecimento - De Philippe Quéau, diretor da Divisão de Informação e Informática da UNESCO: "A maioria das inovações e invenções baseia-se em idéias que são parte do bem comum da humanidade. Por isso é inaceitável limitar o acesso à informação e ao conhecimento para proteger interesses particulares." A inferência abdutiva e o realismo científico - Silvio Seno Chibeni- Prof. Unicamp Realismo Científico empirista? - prof. Silvio Seno Chibeni - UNICAMP O rio São Francisco no Paraná - de Rubem Alves: "Muito saber científico é símbolo que não sai do laboratório. Como o rio São Francisco da aeromoça, que não saiu do mapa. Não ilumina nem o mundo nem a vida. Conhecimento que não decifra a vida e não ilumina o mundo não é conhecimento. É enganação. Não importa que tire nota alta no provão." (Jornal "Folha de São Paulo", 11/07/1999) O Peso dos fatos - A polêmica entre Pasteur e Pouchet - Claude Chrétien A visão mesquinha do mundo - F. Nietzsche Teoria materialista do conhecimento e formação da ideologia - Karl Marx e F. Engels, in " A ideologia Alemã" O alienista: loucura, poder e ciência - Artigo sobre o livro de Machado de Assis: "O Alienista" / de Roberto Gomes, publicado originalmente na Revista de Sociologia da USP, vol. 5. nº 1-2, novembro de 1994, pág. 145-169 Resumo: Este artigo analisa o conto de Machado de Assis, "O Alienista", ficção centrada nos delírios de Simão Bacamarte, médico-psiquiatra. Nela estão referidas as pretensões e impasses das concepções científicas do século XIX, em particular do Positivismo, que tem vínculos profundos com o nascimento das Ciências humanas.
 
Jaime RN, 2010-01-07 09:34:50
Ciência e filosofia: da compreensão à actuação por Rui Namorado Rosa Em meados do século XIX foi-se insinuando e impondo no conhecimento científico o conceito de irreversibilidade. No domínio da Mecânica, a ciência moderna por excelência desde o dealbar do século XVII, o modelo da Filosofia Natural cuja evolução tanto influenciou a marcha de pensamento filosófico, reversibilidade era aceite e significava a simetria do tempo físico (do movimento dos corpos eternos no espaço infinito ) e metafísico (dos elementos, das substâncias ou dos seres no universo). Mas o domínio filosófico era campo fértil de contradições. A assimetria, por seu lado, era reconhecida no ordenamento entre causa e efeito (sem em absoluto negar uma eventual reciprocidade entre estes), era reconhecida entre os actos de percepção e de cognição ("eu penso logo existo") e seria mesmo uma necessidade ao aceitar ou procurar um sentido teleológico nos acontecimentos. Uma síntese entre simetria e assimetria parecia necessária. Irreversibilidade teve e tem vários enunciados e manifesta-se em todos os domínios. No domínio das Ciências Exactas, a consistência entre o sentido do tempo observado em variados fenómenos físicos (como a difusão, a propagação de ondas ou o decaimento radioactivo) veio a conferir um sentido universal ao tempo. O Segundo Princípio da Termodinâmica veio a fixar uma relação determinada entre forças e fluxos que implicitamente fixa um sentido para o correr do tempo. De um outro ponto de vista e por outras palavras, a "conservação" de energia não nega antes se completa com o reconhecimento da "transformação" da sua qualidade, a dita "dissipação" de energia. O conceito de entropia (Rudolph Clausius, 1865) foi então concebido para aferir essa qualidade, conceito fecundo, hoje corrente em diversos domínios do conhecimento (e ocasionalmente abusado). Sinteticamente, o crescimento da entropia aponta o sentido do tempo, a seta do tempo . Este Segundo Princípio entra em rotura com o conhecimento fixado na Mecânica newtoniana, segundo a qual o movimento dos corpos é reversível num tempo simétrico. Essa rotura implicou o reconhecimento de que corpos extensos, compostos por inúmeras partes elementares, manifestam propriedades não existentes ou perceptíveis nessas partes elementares quando consideradas separadamente. O todo não se reduz à soma das partes, pois que novas grandezas e novas propriedades emergem do todo; a contradição entre os mundos microscópico e o macroscópico era pois aparente, isto é, superável. E, demonstrando a conciliação entre as leis reversíveis do mundo microscópico com as leis irreversíveis do mundo macroscópico, as propriedades médias e as flutuações dos corpos em estado de equilíbrio gozam e exibem permanência e reversibilidade. Só em 1998, no CERN e no Fermi Lab, viria a ser confirmada a quebra de simetria do tempo à escala microscópica, concretamente no comportamento de certas partículas elementares, o que havia trinta anos se suspeitava já, em resultado da então descoberta quebra de simetria carga-paridade; esta quebra de simetria será responsável pela prevalência da matéria sobre a antimatéria no universo. Quer dizer que a seta do tempo também existe à escala microscópica, embora com pequeníssima expressão, mas com enorme consequência à escala do tempo cósmico. Enfim, poder-se-á dizer que o mundo existe como é porque "o tempo não é imparcial" .... O desenvolvimento da História Natural, complementando, contrariando e superando a abordagem sistematizadora e coleccionista do século XVIII, veio evidenciar, no imenso tesouro dos registos ou "memórias" geográficas botânicas, zoológicas e geológicas, a distribuição, a mutação e a filiação de espécies animais e vegetais com um sentido evolutivo. O tempo exibe um sentido definido para o ser biológico (nascimento e morte); ora esse sentido é um pressuposto necessário à formulação das leis de evolução próprias da esfera biológica. O percurso acelerado que conduz de Carl von Lineu (1756) a Charles Darwin (1858) é o que parte da Filosofia Natural para chegar até à ciência moderna. O darwinismo foi uma rotura epistemológica profunda, com consequências enormes e fecundas, uma aquisição definitiva do pensamento científico cujo alcance ainda hoje não está esgotado. Uma outra rotura se deu pela mesma época no domínio das então incipientes Ciências Sociais, com a obra de Karl Marx que concebeu o materialismo histórico como instrumento de interpretação da História, a qual adquire maior e determinante dimensão económica e social, e iniciando uma linha filosófica fecunda, o marxismo . O marxismo reflecte e fundamenta-se aliás nas mutações do conhecimento das Ciências Exactas e Naturais contemporâneas. Mas é o materialismo dialéctico que está subjacente às profundas superações epistemológicas que ilustram as várias ciências no curso do século XIX europeu. Friedrich Engels desenvolveu o materialismo dialéctico na obra conhecida por Anti-Dühring (1878), bem como numa colectânea de manuscritos publicados em 1925 sob o título Dialektik der Natur . O materialismo dialéctico considera que os fenómenos materiais são processos. Opondo-se, por um lado, ao idealismo, incluindo o idealismo de George Hegel, mas colhendo deste a formulação dialéctica, Engels enunciou uma filosofia da Natureza que, por outro lado, superou o materialismo mecanicista. Este materialismo inspirava-se na física (mecânica) moderna e em interpretações filosóficas da ciência que, remontando a Tomas Hobbes e John Locke (século XVII), proliferaram no século XIX; seria, segundo Engels, superficial por não atender a que os modelos mecânicos não são igualmente aplicáveis a outros domínios, como a química e a biologia, e a novas descobertas científicas, como a então novel teoria da evolução das espécies. O materialismo mecanicista também ignorava a relevância prática do conhecimento e tanto as relações das ciências com as condições sociais como a repercussão da ciência na transformação da sociedade. Hegel insistia na natureza global e dialéctica das mudanças nos processos naturais, porém atribuía tais mudanças a manifestações do "espírito". Engels subverteu essa interpretação hegeliana, atribuindo a mudança à própria matéria no seu desenvolvimento dialéctico. A dialéctica da Natureza procede segundo três leis: a lei da transformação da quantidade em qualidade, a da interpenetração dos contrários ou opostos, e a da negação da negação. A mudança resulta da presença de contradições, contradições objectivas e não subjectivas, contradição entre opostos, de cujo conflito emerge a mudança. O materialismo dialéctico, com a epistemologia científica subjacente, foi tomada por Lenine como doutrina para a luta por uma sociedade comunista, o que pode ser interpretado como a conversão do materialismo dialéctico em ideologia (sem perda da sua natureza filosófica), cuja pertinência dependerá da circunstância histórica, ou seja, o materialismo dialéctico adquiriria um sentido político. Mas a ser uma ideologia política, tem um sentido de compreensão para a mudança, não de justificação do presente. E, na base da interpretação marxista, estará vocacionada para a superação da sociedade de classes. Também na historia social o tempo aponta um sentido de mudança. Estas várias roturas foram ganhos científicos e saltos epistemológicos. Nas últimas décadas do século XX, assistiu-se a uma outra sucessão de descobertas de novas categorias de fenómenos A dinâmica caótica é um desses novos domínios. O conceito científico de Caos surgiu do estudo de modelos simplificados de previsão meteorológica e de mudança climática (Lorenz); mas sistemas elementarmente simples mostram exibir comportamento caótico também (Verhults); o que antes era estranho, espúrio e marginal passa a ser objecto de estudo, e o caos revela ter leis próprias subjacentes; a aparente desordem revela-se ser passível de quantificação (expoentes de Liaponov, etc.). A teoria da informação é um outro desses domínios. O conceito de Informação (Shannon), formalmente próximo do de entropia, viria a ser um suporte conceptual estruturante dos actuais desenvolvimentos das tecnologias da informação e da comunicação. Nestes vários âmbitos o conceito de tempo é essencial; a dinâmica caótica comprova sugestivamente o sentido único do fluir do tempo; e a comunicação de informação só comporta um sentido. Algumas novas categorias de fenómenos foram identificadas em sistemas progressivamente mais extensos e internamente interligados, de natureza física, biológica, social, etc. São fenómenos que se manifestam como comportamentos colectivos ou cooperantes; manifestações de complexidade e a emergência de novas fenómenos; processos de crescimento e a estruturação da forma; etc. Conceitos e leis da Termodinâmica, da Teoria da Informação, da Dinâmica Caótica são convocados e mostram-se instrumentais na procura da compreensão de sistemas económicos e sociais os mais variados. O Materialismo Dialéctico pode e deve ser encontrado nestes novos âmbitos fenomenológicos. E pode e deve ser inspiração para procurar a sua compreensão. E concretamente, a integração num plano superior de "explicação", o material enorme que por enquanto se nos afigura diverso e fragmentado. 27/Jul/02
 
Jaime RN, 2010-01-04 08:58:54
Corte e obstáculos epistemológicos «Uma nova verdade científica não se impõe porque se persuadem os seus adversários e porque se lhes faz ver a luz, mas antes porque estes acabam por morrer e são substituí- dos por uma nova geração à qual esta verdade se tornou familiar.» (Max Planck) Quanto aos "obstáculos epistemológicos", afirma Bachelard, é através deles que se analisam as condições psicológicas do progresso científico. Nas suas palavras: É aí que mostraremos causas de estagnação e até de regressão, detectaremos causas da inércia às quais daremos o nome de obstáculos epistemológicos (...) o ato de conhecer dá-se contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal estabelecidos, superando o que, no próprio espírito, é obstáculo à espiritualização. (Gaston Bachelard) “Esse poder simbólico que, na grande maioria das sociedades, era distinto do poder político ou económico, hoje está concentrado nas mãos das mesmas pessoas que detêm o controlo dos grandes grupos de comunicação, quer dizer, que controlam o conjunto dos instrumentos de produção e de difusão dos bens culturais." (Pierre Bourdieu)
 

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